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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Censo Escolar

 
Imagem disponível em: <http://blog.portabilis.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img-blog-censo-escolar.png> acesso em 19 nov. 2017.


Como reflexão e conhecimento, fomos demandados na Interdisciplina Questões Étnico-Raciais na Educação: Sociologia e História a realizar um censo escolar de uma de nossas turmas analisando a diversidade através de diferentes itens. O INEP através da obra “A cor ou raça nas estatísticas educacionais” forneceu subsídios que embasaram esta atividade:

O Censo Escolar da Educação Básica é um levantamento de dados educacionais de âmbito nacional, que ocorre com periodicidade anual. É coletado de modo descentralizado, em regime de colaboração entre União, estados, Distrito Federal e municípios e tem caráter declaratório. O preenchimento do Censo Escolar é obrigatório para todas as escolas públicas e privadas, de acordo como o Decreto nº 6.425/2008, de modo que os diretores e dirigentes dos estabelecimentos de ensino devem responder ao Censo e se responsabilizar pela veracidade dos dados informados. Além de coletar informações sobre escolas, turmas, profissionais escolares em sala de aula e estudantes nas diversas etapas da educação básica, o Censo também colhe dados relacionados ao movimento e ao rendimento escolar (transferência, aprovação, reprovação e abandono).

Analisei uma turma de 7º ano porque a diversidade é um traço marcante nela. Esta turma é composta por 22 alunos, a idade destes alunos é bem variada que vai de 12 anos à 19 anos completos. Todos os alunos desta turma são de nacionalidade brasileira e todos nasceram na capital do estado do Rio Grande do Sul.

Como podemos perceber alguns alunos desta turma reprovaram mais de uma vez por diferentes motivos como: evasão escolar, dificuldade de aprendizagem, etc. Percebe-se que os alunos “especiais” são os que mais reprovaram.

Nos dados cadastrais dos alunos também algumas informações são omitidas como a questão de aluno especial diagnosticado, ou seja, com laudo e que os responsáveis preferem que suprimido do seu cadastro. Esta turma é composta por 6 alunos “especial” (termo do sistema) porém declarados são apenas dois.

Por tanto os professores costumam avaliá-los como os demais alunos, nem existe uma sensibilidade por parte dos professores. A menina de 19 anos é diagnosticada e tem lauda com deficiência intelectual e mesmo assim reprovou muitas vezes.

O quesito raça/cor também chama atenção visto que apenas dois alunos se declararam pretos, e na realidade seriam 10 alunos. A maioria dos alunos se declarou etnia branca. Os alunos desta turma apenas dois vão para escola de transporte escolar, um deles é o aluno com laudo e declarado deficiência física locomotora. Este aluno é atendido pela professora da sala de recursos.

Um progresso ou conquista que ocorreu neste ano foi que: a professora da sala de recursos juntamente com a coordenadora pedagógica conseguiram sensibilizar os docentes a avançarem um aluno com altas habilidades que tinha reprovado muitas vezes por sofrer Bullying em diferentes escolas que estudou e por fim acabava abandonando a escola.

Esta turma é atendida por oito profissionais com ensino superior completo, dois profissionais possuem especialização. A estrutura da escola é composta por Sala de multimídia, sala de informática, biblioteca, sala de recursos pedagógicos, orientação educacional, rampas de acesso e banheiro adaptado.

Este censo me fez perceber a importância da coleta de dados e também como falta uma orientação para os responsáveis. Os dados devem ser corretos e sempre atualizados para que não haja mais reprovações e evasão escolar resultantes das peculiaridades omitidas no cadastro dos alunos.

Referência:
SENKEVICS, Adriano Souza. A cor ou raça nas estatísticas educacionais: uma análise dos instrumentos de pesquisa do Inep / Adriano Souza Senkevics ; Taís de Sant’Anna Machado ; Adolfo Samuel de Oliveira. – Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, 2016.

Olhar para o lado...

Imagem disponível em:<http://www.portalafricas.com.br/v1/wp-content/uploads/2015/11/racismo-13-12-13-615x340.jpg> acesso em: 28 nov 2017.
Um olhar para os lados sejam eles também para o passado foi uma proposta de reflexão bem significativa que sempre fiz silenciosamente, porém nunca coloquei no papel. E esta proposta de analise e reflexão intitulada “Teste de pescoço” proporcionou um novo olhar, um olhar cuidadoso e como também posso mencionar curioso.
Ao longo da minha vida acadêmica tive duas professoras negras uma no ensino fundamental anos iniciais professora de música e outra no ensino técnico professora de datilografia. No decorrer da minha escolarização tive colegas negros, no ensino superior eles diminuíram drasticamente, porém estávamos lá nos bancos acadêmicos três negras.
Atualmente estou cursando uma segunda graduação e assim como na primeira não tenho nenhum professor ou tutor negro visualmente, visto que temos negros de pele branca porém geneticamente negro, quanto ao número de colegas posso afirmar que a quantidade aumentou significativa. Como comprova MELLO:
O significativo aumento de indivíduos negros no ensino superior é prova incontestável da necessidade de políticas públicas voltadas para a diminuição das desigualdades raciais. O índice de paridade racial no ensino superior, de acordo com dados divulgados pela Fundação Carlos Chagas, passou de 0,25 no ano 2000, para 0,56 no ano de 2010. Assim, se em 2000 havia quatro estudantes brancos para cada estudante negro, essa proporção se reduziu pela metade em 2010.

Onde leciono atualmente escola de ensino fundamental somos duas professoras negras, porém por longos anos estive só, minha escola não possui ações afirmativas significativas. Pretendo realizar mestrado e doutorado e somar neste número tão singelo de professores negros nas universidades brasileiras como dados apresentados por CARVALHO (2005, p.93):
Se juntarmos todos os professores de algumas das principais universidades de pesquisa do país (por exemplo, USP, UFRJ, Unicamp, UnB, UFRGS, UFSCAR e UFMG), teremos um contingente de aproximadamente 18.400 acadêmicos, a maioria dos quais com doutorado3 . Esse universo está racialmente dividido entre 18.330 brancos e 70 negros; ou seja, entre 99,6% de docentes brancos e 0,4% de docentes negros (não temos ainda um único docente indígena).
Conversando com minha tia que tem setenta anos e estudou até o ensino fundamental em um distrito de Piratini chamado de Cancelão. Ela relatou que sua escola, ou melhor, sua turma era multi seriada, ou seja, vários anos na mesma turma. Sua professora era branca e a escola era mista, porém a grande maioria era de alunos negros.
Ela estudou aproximadamente até o quarto ano, por não existir ensino avançado no município e a necessidade latente de trabalhar abandonou a escola com onze anos de idade. Também mencionou que quando mudou para um município maior juntamente com a família que trabalhava, sentiu vontade de estudar, porém não tinha horário disponível para tal, pois como domestica era “a primeira a levantar e a ultima para deitar”.
Sinto tristeza e vitória em suas palavras, pois devido ao esforço dela e de minha mãe que também não teve estudos além da alfabetização e que assim como minha tia trabalhou como domestica, nós tivemos acesso a educação superior.
Vou adotar em minha rotina e também incentivar meus alunos a praticar o “teste do pesco”, com o intuito de estimular e encorajar a preenchermos positivamente todos os locais de ascensão e destaque.

Referências:

CARVALHO, José Jorge de. O confinamento racial do mundo acadêmico brasileiro. Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/revusp/article/viewFile/13485/15303> acesso em 23 out. 2017.

SANTOS, Isabel Silveira dos Santos. Contando Outras Histórias Sobre a Educação De Negros (As). Disponível em: < https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/2192918/mod_resource/content/1/SANTOS%2C%20Isabel%20Silveira%20dos.%20Contando%20outras%20hist%C3%B3rias%20sobre%20a%20educa%C3%A7%C3%A3o%20de%20negros_as_%20FINALIZADO.pdf> acessado em 23 out. 2017.

SILVEIRA, Aline. A intelectualidade negra e a invisibilidade nos espaços acadêmicos. Disponível em: < http://blogueirasnegras.org/2014/10/28/a-intelectualidade-negra-e-a-invisibilidade-nos-espacos-academicos/> acessado em 24 out. 2017.


MELLO, Luciana Garcia de. Racismo de Estado e a produção de desigualdades raciais no sistema educacional. Disponível em: <https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/2192919/mod_resource/content/1/Vers%C3%A3o%20final%20-%20Uniafro.pdf> acessado em 23 out. 2017.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

O BRASIL CRIANDO MAIS OPORTUNIDADES PARA SEUS NEGROS


Apesar do crescente numero de jovens acessando os níveis fundamentais da educação a permanência destes jovens ainda é algo a se trabalhar. A grande maioria dos jovens negros não consegue permanecer e principalmente concluir o ensino médio.
As pesquisas também mostram um crescente acesso no ensino superior, oportunizadas pelas políticas publicas de financiamento de bolsas de ensino em instituições privadas. Porém sobre outro prisma percebemos que os jovens negros adentraram em instituições de ensino de qualidade não satisfatória. Ficando o questionamento de Silvério[1] “Será que eles terão formação adequada para entrar em empregos públicos e privados de qualidade?”
Outra questão pontual a ser debatida é a questão de currículo, independentemente o crescente número de jovens negros/pardos nas escolas e universidades, eles não se identificam com os temas abordados no universo escolar. Segundo Maria Aparecida da Silva, a Cidinha, presidente da ONG Geledés e coordenadora do projeto Geração XXI:
É a falta de preparo dos professores, segundo Eliane Cavalleiro, autora do livro Do Silêncio do Lar ao Silêncio Escolar: Racismo, Preconceito e Discriminação Racial na Educação Infantil, que contribui para o alto índice de evasão escolar de alunos negros. "Isso acontece porque eles não estão sendo positivamente aceitos. Eles não recebem o mesmo tratamento desde o currículo - que não pensa de fato numa formação histórica do Brasil com a participação da população negra - até as falas pejorativas que ocorrem freqüentemente", argumenta. (SILVA, 2002)

Percebe-se que este jovem que outrora foi discriminado hoje esta aprendendo a se defender e exigir respeito. O educador tem o dever de compreender a condição racial dos alunos e promovendo a igualdade. E para a criança negra a escola é seu primeiro enfrentamento a exclusão.
Tenho asseveração que com o crescente número de representatividade negra em diferentes áreas e o aprender a confrontar seus medos e todos os obstáculos que surgirem é o primeiro passo para o progresso e a permanência nos bancos escolares. É urgente e inadiável a formação democrática do jovem negro. Para reconhecer seus direitos e batalhar por educação de igualitária e de qualidade.
Disponível em: <http://www.redeto.com.br/images/noticia/20151120234929_negros.jpg> acesso em: 2 nov. 2017.

Acesso de negros à educação melhora em termos quantitativos, mas não qualitativos. 13 de abril de 2017. Disponível em: http://www.revistaeducacao.com.br/acesso-de-negros-educacao-melhora-em-termos-quantitativos-mas-nao-qualitativos/> acesso em 01 nov. 2017.

 

PAVAN, Alexandre. Brasil negreiro. Edição de setembro de 2002. Revista Educação. Disponível em: http://www2.uol.com.br/aprendiz/n_revistas/revista_educacao/setembro02/capa.htm> acesso em 01 nov. 2017.




[1] Dr. Valter Roberto Silvério. Doutorado em Ciências Sociais, UNICAMP (1999)/Pós-Doutorado: International Institute for the Sociology of Law (2006). Professor Associado Linha de Pesquisa: Cultura, Diferenças e Desigualdades Email: silverio@ufscar.br

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Coração ❤

Imagem disponível em: <https://ksr-ugc.imgix.net/assets/014/527/217/809633597bfbfe1e6edcaeb1b2a3341d_original.png?w=680&fit=max&v=1479229319&auto=format&lossless=true&s=590071f0192f97fb33e01e2555728c52>acesso em 17 out 2017.

Nesta semana para a Interdisciplina Questões Étnico-Raciais na Educação: Sociologia e História deveríamos adicionar um vídeo relativo ao tema e após escolher um vídeo de um grupo de colegas para debater, assistirmos vários vídeos sugeridos pelas colegas escolhemos analisar o vídeo Hearbeat.

A animação tem um roteiro interessante, que prende seu espectador durante todo enredo. Sua temática é relevante e contemporânea através de uma abordagem simples, clara e objetiva levando quem assiste a pensar sobre o tema proposto.

Também apreciamos os vídeos de reação das crianças e idosos durante e após assistirem o vídeo. É marcante o quanto as crianças agem com naturalidade e sem nenhuma "maldade", percebe-se que ninguém nasce homofobico. Os adultos/ idosos também mostraram-se abertos e sem preconceitos.

Gostei muito do vídeo mesmo e resolvi passar para meus alunos e abordar o tema, nossa valeu colegas pela dica, valeu Pead e professora Aline pela atividade. Os alunos gostaram muito do vídeo a reação dos meus alunos se assemelha a reação das crianças entrevistadas, poucos tiveram uma reação de preconceito.

Filme - In a Heartbeat - Animated Short Film


Reação das crianças 

Reação dos idosos



domingo, 3 de setembro de 2017

Eixo IV

Que maravilha estudar, aprender, interagir e principalmente socializar, nossa primeira aula presencial reuniu todos estes elementos aliceradores essenciais para a construção de educadores comprometidos.
Na Interdisciplina Seminário Integrador IV debatemos importantes mazelas da interdisciplina, foi realizada uma dinâmica. Nos reunimos em pequenos grupos para discutir sobre situações/vivências/experiências que envolvessem diversidade e preconceito no âmbito pessoal, após escolhemos uma situação debatida/escolhida para representar em um desenho e narrativa (nossa em questão de segundos inúmeras narrativas surgiram), na apresentação também apontamos uma lista de certezas e dúvidas sobre o que elas consideram sobre diversidade e preconceito.




Logo em seguida passamos para a Interdisciplina Questões étnico-raciais na Educação: Sociologia e História como não poderia ser diferente considerando as professoras maravilhosas da interdisciplina (Larissa e Aline) realizamos uma dinâmica na qual ouvimos. A dinâmica reuniu vários trechos de escritores como: Carolina Maria de Jesus e Caio Fernando Abreu realizamos a leitura como um sarau, atividade reflexiva e intensa.

 

 




Li este trecho que me inspirou em outro:

“Escrevo a miséria e a vida infausta dos favelados. Eu era revoltada, não acreditava em ninguém. Odiava os políticos e os patrões, porque o meu sonho era escrever e o pobre não pode ter ideal nobre. Eu sabia que ia angariar inimigos, porque ninguém está habituado a esse tipo de literatura. Seja o que Deus quiser. Eu escrevi a realidade.”
Carolina Maria de Jesus, Quarto de despejo, 1960.













"Antigamente o que oprimia o homem era a palavra calvário; hoje é salário.” 

Referências:
Disponível em: <http://folhadepoesia.blogspot.com.br/2016/07/carolina-maria-de-jesus.html> acesso em 03 set 2017.
Disponível em: <https://www.facebook.com/poetasergio.vaz2/photos/a.355610741185016.85667.354571867955570/1067477026665047/?type=3> acesso em 03 set 2017.
Disponível em: <https://www.traca.com.br/capas/583/583131.jpg> acesso em 03 set 2017