quinta-feira, 7 de junho de 2018

Mídias & Educação

Imagem disponível em: <https://thaisoliveirajor.files.wordpress.com/2012/08/ilutac387ao-carlus-opovoeducacao-atualizado1-300x2912.jpg> acesso em 07 jun 2018.


Refletindo sobre processos de ensino e aprendizagem não tem como deixarmos de fora o uso das tecnologias como forma de ensino e aprendizagem. Comparando a aprendizagem e o desenvolvimento, percebemos que o desenvolvimento depende da experiência interativa com o meio, e somente com um bom desenvolvimento a aprendizagem se efetiva.
O ensino e aprendizagem se dão por ações interativas do professor e do aluno, ações de estimulação e assimilação. Esta relação esta além do professor passar a matéria/conteúdo e sim de despertar interesse do aluno.
A aprendizagem se torna mais prazerosa e receptiva em interações de afinidade e amorosidade e podendo ser potencializada com objetos tecnológicos que são de interesse do educando. Quando o educador conhece e o seu aluno em todos os aspectos singulares haverá uma facilidade de aprendizagem. O professor não pode fechar os olhos e ignorar as tecnologias, visto que as crianças nascem praticamente conectadas. 

REFERÊNCIAS:
BECKER, F. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. Texto em PDF, disponibilizado pelo autor.

FERNÁNDEZ. Fátima Addine. Didática y optimización del processo de enseñanzaaprendizaje. IN: Instituto Pedagógico Latinoamericano y Caribeño – La Havana – Cuba, 1998

ZABALA, Antoni. A Prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: ArtMed, 1998.

Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos


Fernando Becker, no artigo “Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos” explanou sobre os modelos Empistas, Apriorista e construtivista. Exemplificando e caracterizando-os.
Na epistemologia empirista, a única fonte de conhecimento humano é a experiência adquirida em função do meio físico mediado pelos sentidos. Na perspectiva empirista, o ensino se dá centrado no professor que dita, fala, decide, ensina, pois crê que somente ele pode produzir algum novo conhecimento no aluno. Este, por outro lado, só aprende se o professor lhe ensina, lhe transfere o conhecimento.
Assim, o papel do aluno é escutar passivamente, executar ordens em silêncio, quieto, repetindo quantas vezes for necessário, até aderir em sua mente o conhecimento transmitido pelo professor. O sujeito encontra-se, por sua própria natureza, vazio, como uma "tábula rasa", uma folha de papel em branco.
Para Locke, o homem não pode atingir a verdade definitiva, pois tem nos fatos, e não nele, a fonte principal para tal explicação. Refuta a idéia das teorias inatas e com isso destaca a importância da educação e da instrução na formação do homem.
A pedagogia para os empiristas é diretiva. O aluno aprende se e somente se, o professor ensina.
O professor acredita no mito da transferência do conhecimento. O professor possui o saber e detém o poder estabelecido por hierarquia: "O professor ainda é um ser superior que ensina a ignorantes. O educando recebe passivamente os conhecimentos, tornando-se um depósito do educador" (Freire, 1985, p. 38).
Sintetizando: Neste modelo o professor é um auxiliador do aluno, um facilitador, porque o aluno já traz um saber que precisa, apenas trazer a consciência, o professor interfere o mínimo possível. O professor deve ser um facilitador e auxiliador.
Por outro prisma a epistemologia apriorista opõe-se ao empirismo por considerar que o indivíduo, ao nascer, traz consigo, já determinadas, as condições do conhecimento e da aprendizagem que se manifestarão ou imediatamente (inatismo) ou progressivamente pelo processo geral de maturação. Toda a atividade de conhecimento é exclusiva do sujeito, o meio não participa dela.
Essas idéias inatistas seriam submetidas ao processo maturacional de forma pré-determinada ou a priori. A base do apriorismo é, portanto, que o sujeito está para o objeto, sem a interferência do meio.
A pedagogia apriorista é não-diretiva, difícil de viabilizar, portanto não é fácil de detectar sua presença na prática da sala de aula. O professor é um auxiliar do aluno, um facilitador.
O aluno já é um saber que ele precisa, apenas, trazer à consciência, organizar, ou ainda, rechear de conteúdo. O professor deve intervir o mínimo possível. Ou seja, para o professor o sujeito é determinado pelo mundo, pelo objeto, somente será produzido novo conhecimento no aluno se o professor ensinar. O professor deve estimular e motivar o aluno.
No construtivismo ou interacionismo representa uma postura epistemológica que compreende a origem do conhecimento na interação do sujeito com o objeto. Piaget traçou paralelos e analogias entre a Biologia e a Psicologia e mostrou que a inteligência é o principal meio de adaptação do ser humano. A inteligência não cria organismos novos, mas constrói mentalmente estruturas suscetíveis de aplicar-se às estruturas do meio.
Ela constitui uma atividade organizadora cujo funcionamento prolonga o da organização biológica e o supera, graças a elaboração de novas estruturas. A epistemologia construtivista propõe que o conhecimento não é dado como algo terminado, acabado. Um dos pressupostos do construtivismo é que nossa estrutura cognitiva está configurada por uma rede de esquemas de conhecimentos, os quais dependem do nível de desenvolvimento e dos conhecimentos prévios do sujeito.
No construtivismo, o sujeito e o objeto não são estruturas separadas, mas constitui uma só estrutura pela interação recíproca. Nesse sentido, a fim de propiciar que o aluno seja ativo e protagonista, na construção do conhecimento, surge a necessidade de o professor exercer um papel igualmente ativo, pois é ele quem dispõe das condições para que o aluno acione seus conhecimentos prévios, , o professor além de ensinar, aprende aquilo que o aluno já construiu até o momento, quer dizer “quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender” (FREIRE, 1996, p. 23).
Neste modelo o professor acredita que o aluno aprenderá se ele agir e problematizar sua ação, ou seja, o conhecimento se constrói na interação do sujeito com o objeto, o professor deve questionar e desafiar o aluno. O ensino deveria ser de maneira prazerosa e significativa para o aluno, partindo de suas vivências e dos interesses. Sendo assim concordo que o conhecimento não possa transitar da cabeça do professor para a cabeça do aluno.
Também não acredito na tese de que a mente do aluno é uma tábula rasa frente ao conhecimento do novo, pois tudo que o aluno já construiu serve de patamar para continuar a sua construção. O professor além de ensinar, precisa aprender o que seu aluno já construiu até o momento – condição prévia das aprendizagens futuras. O resultado desta sala de aula é a construção e a descoberta do novo. Esta sala de aula não reproduz o passado pelo passado, mas debruça-se sobre o passado porque aí se encontra o embrião do futuro.
Segundo Becker o aluno hoje é semelhante e diferente ao aluno de todos os tempos. Ele pergunta e se pergunta é porque está sendo reprimido, interfere com muito mais desembaraço. Ele dispõe de informações (TV, rádio, mídia impressa, internet, CDs, etc.) que vêm a ele em tamanha quantidade – não necessariamente em qualidade - como jamais a humanidade conheceu. E o modelo pedagógico relacional é o único que conseguirá dar conta dessa demanda.
O que seria então uma escola democrática, Rosanei Tosto em seu artigo aponta como sendo “utopia ou realidade”, infelizmente ainda não temos escolas totalmente democráticas. Os princípios de uma legitima escola democrática seriam a real e efetiva participação de todos os cidadãos na tomada de decisões. Que estes de fato e de direito fossem críticos e reflexivos, com valores que permeiem os direitos humanos e assim sucessivamente transformassem a sociedade.
Uma escola democrática é uma escola que se baseia em princípios democráticos, em especial na democracia participativa, dando direitos de participação iguais para estudantes, professores e funcionários. Esses ambientes de ensino colocam os alunos como os atores centrais do processo educacional, ao engajar estudantes em cada aspecto das operações da escola, incluindo aprendizagem, ensino e liderança. Os adultos participam do processo educacional facilitando as atividades de acordo com os interesses dos estudantes. (TOSTO, p. 2)
A autora fala da Escola da Ponte referência para todo o mundo e outras duas escolas que trabalham nesta linha aqui no Brasil, que servem de pesquisas e referências.

Ao contrário da metodologia tradicional aplicada na grande totalidade das escolas espalhadas pelo mundo, essa escola adota uma metodologia democrática onde cada aluno é único em seu aprendizado e por isso respeita-se o ritmo e as escolhas de cada um. Inicialmente fundada por John Dewey, a teoria central que serviu de inspiração para o surgimento da Escola da Ponte era denominada „escola pragmática‟ – ou educação progressista – e tinha como princípio que os alunos aprendem melhor realizando tarefas associadas aos conteúdos ensinados. Atividades manuais e criativas ganharam destaque no currículo e as crianças passaram a ser estimuladas a experimentar e pensar por si mesmas. Nesse contexto, a democracia ganha peso, por ser a ordem política que permite o maior desenvolvimento dos indivíduos, no papel de decidir em conjunto o destino do grupo a que pertencem. Dewey defendia a democracia não só no campo institucional, mas também no interior das escolas. (TOSTO, p. 8)

Segundo o autor Phillipe Áries, em “Maquinaria Escolar” a concepção da infância nem sempre existiu, sua análise histórica menciona o comportamento de famílias desde a Idade Média ocidental, e relatou que a criança deste período era tratada como adulto.
Antes do século XVII as famílias não davam atenção às crianças, que eram vistas como “adultos em miniatura”, as mães logo após o nascimento entregavam os filhos as “amas de leite”. Não havia uma preocupação dos pais em acompanhá-los e educá-los, não existia vínculos e apegos afetivos como nos dias atuais.
A constituição de um novo conceito de infância veio a se desenvolver somente a partir do século XVIII, quando a infância e adolescência separam-se definitivamente que o bebe aparece como uma nova figura e através das artes plásticas ligada a iconografia religiosa desde finais da idade média começa a aparecer a infância e também seus direitos como criança cidadã.
“...a educação será um dos instrumentos chaves utilizados para naturalizar uma sociedade de classes ou estamentos: existem diferentes qualidades de naturezas que exigem programas educativos diferenciados. Em conseqüência se instituirão, pouco a pouco, diferentes infâncias que abarcam desde a infância angélica e nobilíssima do Príncipe, passando pela infância de qualidade dos filhos das classes distinguidas, até a infância rude das classes populares. Não é necessário dizer que os eclesiásticos prestarão especialíssima atenção as duas primeiras, ou infâncias de elite, já que sua influência sobre elas é decisiva para a conservação e extensão da fé e de seus próprios privilégios.” (VARELA, p. 05)

 


O texto de Lino de Macedo faz uma conexão entre o construtivismo e a escola, esta relação é abordada com simplicidade explicando a importância do método clínico para educação escolar e a formação do sujeito crítico, que por vezes é incompreendido porque ser uma ação induzida, porém que tem a capacidade de levar a criança a construir e desconstruir hipóteses, mostrando o conhecimento prévio da criança. Também fala do papel do professor o material que usa, disciplina em sala de aula e avaliação. Caracterizando o construtivismo e sua função educacional. Sob ponto de vista não-construtivista de modelos pedagógicos sem sentido e descontextualizados do universo da criança, onde o objetivo é a transmissão de conhecimento.



Referências:
BECKER, Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. Educação e Realidade, Porto Alegre, p.89-96, 01 jun. 1994. Semestral. 19(1). Disponível em: <https://pt.scribd.com/document/260250772/BECKER-Fernando-Modelos-pedagogicos-e-modelos-epistemologicos-2-pdf>. Acesso em: 10 abr. 2018.

TOSTO, Rosanei. Escolas Democráticas Utopias ou Realidade. Revista Pandora Brasil, ISSN 2175-3318. v. 4. 2011. Disponível em: <http://docplayer.com.br/7270548-Escolas-democraticas-utopia-ou-realidade.html>. Acesso em: 10 abr. 2018.

MACEDO, Lino de. O Construtivismo e sua função educacional. Educação e Realidade, Porto Alegre, p.25-31, 01 jun. 1993. 18(1). Disponível em: <https://www.ufrgs.br/psicoeduc/piaget/o-construtivismo-e-sua-funcao-educacional/>. Acesso em: 10 abr. 2018.

VARELA, Julia et al. A Maquinaria Escolar. Teoria & Educação, São Paulo, n. 6, p.68-96, 1992. Disponível em: <https://pt.scribd.com/doc/70553618/Julia-Varela-e-Fernando-Alvarez-Uria-Maquinaria-Escolar-1>. Acesso em: 10 abr. 2018.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Aluna exausta!


imagem disponível em: <https://kalabashmedia.com/2016/10/03/unsung-heroines-struggle-better-zimbabwe/> acesso em 05 jun 2018.
Hoje minha postagem é um desabafo!
Nossa estou tão exausta, tão cansada... trabalhar em duas escolas, cursar uma graduação, duas pós-graduação e ainda ter uma rotina familiar... aff.
Vejo-me como uma estudante do EJA cuja rotina é exaustiva, pois conciliar estudos, trabalho, família não é uma tarefa fácil e exige muito esforço físico e mental.
Mas nada que com esforço e uma dose extra de força de vontade não resolvam. A palavra desistir não existe em meu vocabulário. Então força, foco é fé!

domingo, 27 de maio de 2018

O que é importante?

Imagem disponível em: <https://feitodesamba.files.wordpress.com/2012/08/330.jpg> acesso em: 20 maio 2018.


Para planejar o ensino é fundamental que primeiramente conheçamos o aluno e principalmente seu contexto social, só assim é possível saber o que é importante para eles aprenderem.
Abaixo seguem minhas sugestões de perguntas:
1.          Em que contexto social meu aluno está inserido?
2.          Os textos contemplam área de interesse dos meus alunos?
3.          A linguagem utilizada é de fácil compreensão?
4.          As atividades propostas proporcionam debate crítico?
5.          Este planejamento contribui para a formação pessoal e social do educando?

Principais idéias Rays

Ao lermos o texto "Planejamento de ensino: um ato político-pedagógico" de Rays extraímos as Principais Idéias:

1. “Escola e realidade social”
Compreender o contexto social onde o educando está inserido é fundamental para o planejamento, que deverá priorizar a realidade dos educandos.

2. “Retrato sociocultural do educando”
O Planejamento será direcionado a partir da realidade do educando, valorizando seu mundo social e cultural.

3. “Objetivos de ensino-aprendizagem e conteúdos de ensino”

Os três aspectos importantes que a aprendizagem deverá contemplar são: assimilação, elaboração e recriação do saber. Trabalhados de maneira que proporcionem significados para o educando.

4. “Procedimentos de ensino-aprendizagem”
Participação dos educandos na construção do planejamento, forneceram subsídios para a aprendizagem cujos objetivos devem valorizar o pensar, repensar e agir.

5. “Avaliação da aprendizagem”
A avaliação da aprendizagem tem como objetivo proporcionar mecanismos de aprimoramento das aprendizagens.

Percebemos que a educação deve priorizar o educando, que este deve ser parte fundamental de todas as etapas de sua aprendizagem e que seu contexto social deve ser observado para termos êxito na formação de cidadãos críticos e atuantes.


Imagem disponível em: <https://musicaeinclusao.files.wordpress.com/2014/10/conteudo-escolar-x-democracia.jpg> acesso em 25 maio 2018.

REFERÊNCIAS:
RAYS, O. A.
Planejamento de ensino: um ato político-pedagógico. Disponível em: <https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/2407153/mod_resource/content/2/Planejamento%20de%20ensino%20um%20ato%20pol%C3%ADtico-pedag%C3%B3gico%20de%20Rays.pdf> Acesso em 20 maio 2018.

RODRIGUES, Maria Bernadette Castro. Planejamento: em busca de caminhos. Disponível em: < https://moodle.ufrgs.br/course/view.php?id=51543> Acesso em 15 maio 2018.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

EJA


Imagem disponível em: <https://netbarretos.com.br/wp-content/uploads/2017/01/28c3424f881aeeb7edfc751bd0bc37311.jpg> acesso em 01 maio 2018.

A Educação de Jovens e Adultos ou simplesmente EJA tem como principal foco o ensino de jovens e adultos que por diferentes motivos não tiveram a oportunidade de estudar no ensino regular. Engloba prioritariamente a alfabetização, educação básica do ensino fundamental e médio.
Esta modalidade de ensino tem características singulares que devem ser respeitadas e compreendidas, visto que a turma será totalmente diversificada. O professor deverá mediar a aprendizagem tanto individual como coletiva, partindo de situações concretas, vivenciadas pelos alunos. Dentre as características que fazem do EJA uma modalidade de ensino específica está a preparação e/ou aprimoramento para atender o mercado de trabalho. Desde que essa modalidade passou a ser ofertada de forma extraordinária a educação formal, foi pensando em produzir mão de obra qualificada e barata.
Assim como as demais modalidades de ensino e aprendizagem no EJA o professor deverá estar preparado para debater e principalmente ouvir e compreender o que este aluno tem para dizer. Afastando a linguagem pomposa escolar que é certamente o maior obstáculo enfrentado por este estudante, pois a compreensão de enunciados, textos complexos não fazem parte da sua rotina.
Aliás, um dos fatores que contribuem para que o aluno em idade regular abandone a escola é justamente o sentimento de não pertencimento ao ambiente escolar, pois o mesmo não oferece ligação com a sua realidade, e o resultado é esse aluno regressando na modalidade EJA.
Percebesse que na prática escolar é necessário muito mais do que garantir a oferta de vagas, é necessário que a gestão escolar preocupe-se com a permanência dos alunos na escola, na modalidade EJA a preocupação tem de ser ainda maior para que a evasão desses alunos não se repita.
Permitir que o aluno vincule temas da sua realidade com as aulas possibilita sua interação com o ambiente escolar, aproximando a teoria a vida real, construindo subsídios para a compreensão do mundo em que estão inseridos. O aluno do EJA necessita de olhar, gestão e prática pedagógica diferenciados e adequados ao seu viver para que a educação seja prazerosa e não um fardo a mais para ser carregado.

Referências:

MACHADO, Margaria Maria. A educação de jovens e adultos Após 20 vinte anos da Lei nº 9.394, de 1996. Revista Retratos da Escola, Brasília, v. 10, n. 19, p. 429-451, jul./dez. 2016.

Nível Federal - RESOLUÇÃO Nº 3, DE 15 DE JUNHO DE 2010 - Diretrizes operacionais da EJA.

Nível estadual - RESOLUÇÃO Nº 0313/2011 - Consolida normas para a oferta de EJA no RS

VIEGAS, Ana Cristina Coutinho. MORAES, Maria Cecília Sousa. Um convite ao retorno: relevâncias no histórico da EJA no Brasil. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação. v. 12, n. 01, jan-mar (2017)


terça-feira, 24 de abril de 2018

COMÊNIO E A DIDÁTICA



Após as leituras conheci Comênio o primeiro teórico a considerar não somente os sentimentos infantis, mas também sua inteligência. Fazia interseções argumentativas que as crianças deveriam ser respeitadas e principalmente consagradas como seres inteligentes, com sentimentos limites e aptidões.
Este teórico também considerava que a educação é direito de todos. É inacreditável perceber que a trezentos anos atrás existiu alguém motivado a melhorar não somente o trabalho do professor, mas também estimulado a favorecer o interesse e criatividade dos alunos.
Este tema tão atual que foi luta de Comênio e permanece sendo incompreendido por muitos. Compreender a individualidade de cada aluno ainda é um tabu, suas vontades são colocados de lado perante a infinita quantidade de conteúdos que deveram ser repassados e avaliados.
O importante para Comênio seria orientar o que realmente tem valor para a vida e não somente o que é considerado importante para a escola. Seu pensar foi e ainda é inovador. Me questiono porque a maioria dos educadores são avessos a este modelo de educação que valoriza e procura motivar o aluno a pensar, que este aluno comporte-se como ator e não como mero espectador da sua aprendizagem.
Os instrumentos didáticos apresentados por Comênio em “Orbis Sensualium Pictus” (O mundo desenhado) para alfabetização é utilizado até hoje. São abecedários ilustrados, com frase simples e desenhos. Esta técnica estimula a memorização através da visualização.Confesso que alfabetizar não faz parte da minha prática pedagógica, porém valorizar e compreender a bagagem de cada aluno fazem parte do minha metodologia de ensino e aprendizagem. Gosto de motivar e usar de muitas técnicas que despertem a vontade de falar.
Por vezes tenho que desenvolver aulas extremamente tradicionais visto que respeitar a hierarquia é a grande pedra no sapato de muitos professores. Acredito que um relacionamento de respeito mutuo de conversas, saídas de campo são elementos cruciais para a efetivação da aprendizagem.
Para ele o ponto de partida da aprendizagem deve ser sempre o conhecido: ir do simples para o complexo, do concreto para o abstrato. No seu livro Orbis Pictus, "o mundo das coisas visíveis em figuras" ele elabora um texto em que cada passo é relacionado com ilustrações. Daí já percebe-se a sua atenção em buscar procurar opções atrativas, interessantes que iram ser marcantes e principalmente prazerosas para aprendizagem.
Almejo ser lembrada como alguém que proporcionou o alto conhecimento, que motivou a auto-aprendizagem e a inquietação por aprender e se descobrir como ser capaz de traçar seus próprios caminhos.
 
DOLL, Johannes; ROSA, Russel Teresinha Dutra da. A metodologia tem história. In: _______ (orgs.). Metodologia de Ensino em Foco: práticas e reflexões. Porto Alegre: UFRGS, 2004, p.26-29

GASPARIN, João Luiz. Comênio ou da arte de ensinar tudo a todos. Campinas: Papirus, 1994. p. 41-42.

O Livro didático em Comênio. Disponível em: <https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/2392872/mod_resource/content/1/O%20Livro%20did%C3%A1tico%20em%20Com%C3%AAnio.doc> acesso em 10 abr 2018.


Imagem diponível em: <https://www.google.com.br/imgres?imgurl=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2F1G8mS3CPFZ0%2Fmaxresdefault.jpg&imgrefurl=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3D1G8mS3CPFZ0&docid=Ikh1PJ6CRaSNUM&tbnid=ZGSbDJriiivuoM%3A&vet=10ahUKEwioy4yYvrPaAhWGiJAKHUxTCqEQMwhTKBIwEg..i&w=1280&h=720&bih=602&biw=931&q=COM%C3%8ANIO%20E%20A%20DID%C3%81TICA&ved=0ahUKEwioy4yYvrPaAhWGiJAKHUxTCqEQMwhTKBIwEg&iact=mrc&uact=8> acesso em 11 abr 2018.

terça-feira, 17 de abril de 2018

“O menininho”

Era uma vez um menininho bastante pequeno que contrastava com a escola bastante grande.
Quando o menininho descobriu que podia ir à sala caminhando pela porta da rua, ficou feliz. A escola não parecia tão grande quanto antes.
Uma manhã a professora disse:
- Hoje nós iremos fazer um desenho.
“Que bom!”, pensou o menininho. Ele gostava de desenhar. Leões, tigres, galinhas, vacas, trens e barcos... pegou sua caixa de lápis de cor e começou a desenhar.
- Esperem, ainda não é hora de começar!
Ela esperou até que todos estivessem prontos.
- Agora, nós iremos desenhar flores.
E o menininho começou a desenhar bonitas flores com seus lápis rosa, laranja e azul.
- Esperem, vou mostrar como fazer.
E a flor era vermelha com o caule verde.
- Assim, disse a professora, agora vocês podem começar.
O menininho olhou para a flor da professora, então olhou para a sua flor. Gostou mais da sua flor, mas não podia dizer isto... virou o papel e desenhou uma flor igual a da professora. Era vermelha com o caule verde.
No outro dia, quando o menininho estava ao ar livre, a professora disse:
- Hoje nós iremos fazer alguma coisa com o barro.
“Que bom!” pensou o menininho. Ele gostava de trabalhar com o barro. Podia fazer com ele todos os tipos de coisas: elefantes, camundongos, carros e caminhões. Começou a juntar e amassar sua bola de barro.
- Esperem, não é hora de começar!
Ela esperou até que todos estivessem prontos.
- Agora nós iremos fazer um prato.
“Que bom!”, pensou o menininho. Ele gostava de fazer pratos de todas as formas e tamanhos.
- Esperem, vou mostrar como se faz. Assim... Agora vocês podem começar.
E o prato era fundo. Um lindo e perfeito prato fundo.
O menininho olhou para o prato da professora, olhou para o próprio prato e gostava mais do seu, mas ele não podia dizer isso... amassou seu barro numa grande bola novamente e fez um prato fundo, igual ao da professora.
E muito cedo o menininho aprendeu a esperar e a olhar e a fazer as coisas exatamente como a professora. E muito cedo ele não fazia mais as coisas por si próprio.
Então, aconteceu que o menininho teve que mudar de escola... 
Esta escola era ainda maior que a primeira.
Ele tinha que subir grandes escadas até a sua sala...
Um dia a professora disse:
- Hoje nós vamos fazer um desenho.
“Que bom!”, pensou o menininho. E esperou que a professora dissesse o que fazer. Ela não disse. Apenas andava pela sala. Quando veio até o menininho falou:
- Você não quer desenhar?
- Sim. O que é que nós vamos fazer?
- Eu não sei, até que você o faça.
-Como eu posso fazer?
- Da maneira que você gostar.
- E de que cor?
- Se todo mundo fizer o mesmo desenho e usar as mesmas cores, como eu posso saber qual o desenho de cada um?
- Eu não sei!
E começou a desenhar uma flor vermelha com um caule verde...
Helen Buckley





A leitura deste conto “O menininho” de Helen Buckley me fez refletir e como poderia deixar de refletir sobre minhas práticas pedagógicas. Percebo muitos traços que aprendi com professores que na época de estudante eram detestáveis e que pratico hoje em dia.
Percebo que este professor e eu como pro0fessora tenho que me adequar a regras e a padronizações impostas pela coordenação pedagógica da escola. Somos educadores mais infelizmente não temos autonomia para desenvolver nosso trabalho.
Meu desafio perante inúmeros meninos e meninas como o do texto é perceber que estou seguindo o sistema que na maioria das vezes não concordo, porém sou servidora e preciso garantir meu ganha pão. Vez por outra sou vista como professora “maluquinha” e até mesmo transgressora, mas me permito deixar as imaginações e criatividades fluírem.
Procuro escutar meus alunos, respeitar seus anseios. Percebo que os alunos adoram estar fora da sala de aula, de atividades como: saída de campo, ou até mesmo se sentarem em circulo para conversarmos, serem ouvidos.
Percebo que a descontração, a informalidade, a quebra de padrão faz com que eles se sintam valorizados e respeitados.
Na minha prática pedagógica gostaria de ser lembrada, por dar asas a imaginação. Não quero ser igual a meus pares repletos de regras, agressividade e ódio no coração. Quero ser encontrada na rua abraçada, receber abraços calorosos e principalmente ser o exemplo de alegria e perseverança.

BUCKLEY, Helen. O menininho. Disponível em: <https://moodle.ufrgs.br/course/view.php?id=51543> acesso em 11 abr 2018.

terça-feira, 10 de abril de 2018

Memórias Tecnológicas


A Interdisciplina Educação e Tecnologias da Comunicação e da Informação propôs revisitar nossas lembranças, nossas memórias tecnológicas usadas na época das nossas primeiras aprendizagens. Nos reunirmos em grupo e o nosso grupo têm a mesma

faixa etária e, portanto vivenciou e fez uso de praticamente todos os mesmos recursos didáticos. Percebemos que estes recursos eram utilizados não somente para ilustrar e diversificar as aulas mas para também desenvolver novas habilidades.

Ao debatermos o assunto, ocorreu aquele momento de saudosismo a lembrança e até mesmo nosso olfato entrou no debate. Impossível não recordar das folhas mimeografadas que eram utilizadas para avaliações e para atividades de motricidade, recorte etc, que também serviam para registro e comprovação de aprendizagem.
A lousa verde ou negra enorme e nós tão pequeninas onde eram escritos com giz os conteúdos e explicações - garantir o registro do conteúdo.
Num momento de maior ludicidade o aparelho toca discos entrava em cena com músicas, hinos ou áudio de historias naqueles discos de vinis pequenos e coloridos.
Estes materiais eram no ambiente escolar como facilitadores das didáticas da época com as intencionalidades pedagógicas eram mostrar outras possibilidades de ensino e aprendizagem.
Na atualidade estes singelos objetos arcaicos são ofuscados pelas ferramentas tecnológicas como computador, notebook, vídeo, data show, aparelho celular, câmera fotográfica, gravador de vídeo, etc.
Percebemos que esta variedade de objetos por vezes torna o estudante avesso à criatividade, tudo parece não ter graça, não traz motivação.

Imagens:


Disponível em: <http://anacaldatto.blogspot.com.br/2014/08/lembra-dos-disquinhos-de-historia.html> acesso 08 abril 2018.
Disponível em: <http://cartacampinas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/CAM02477.jpg> acesso 08 abril 2018.


terça-feira, 27 de março de 2018

Conhecimento



 Imagem: Diponível em<https://www.google.com.br/search?q=conhecimento+cient%C3%ADfico&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwj6zIbqi_vZAhUJhJAKHbgrDpgQ_AUICigB&biw=931&bih=557#imgrc=I_yJrcNU5zOPNM:> acesso em 20 mar 2018.

Dentre as modalidades de conhecimento conhecidas as mais mencionadas são popular, religioso, filosófico e cientifico. O conhecimento científico de cunho racional, objetivo e impessoal se tornou profundamente importante na existência da sociedade e do ser humano, pois atreves deste conhecimento é realizável as modificações sociais e tecnológicas.
A aquisição do conhecimento científico é indispensável para o ser humano e principalmente para a evolução da sociedade, pois por meio dele novos conceitos, diferentes pontos de vista, outras técnicas, procedimentos e ferramentas surgiram. Além disso, nos proporciona o avanço na estruturação e solidificação do conhecimento.
O conhecimento científico comprova a veracidade de muitas informações, esta validação assegura a evolução e o desenvolvimento da sociedade, seja através de soluções para problemas, para explicações ou construção de novos preceitos e procedimentos.
 Imagem: Diponível em<https://www.google.com.br/search?q=conhecimento+cient%C3%ADfico&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwj6zIbqi_vZAhUJhJAKHbgrDpgQ_AUICigB&biw=931&bih=557#imgrc=DgTgRcgAG988nM:> acesso em 20 mar 2018.
No universo escolar, nós os educadores procuramos instigar os alunos a usarem o conhecimento cientifico através de pesquisas e estudos que refutem ou validem os conhecimentos adquiridos através das modalidades populares, religiosas e filosóficas. A escola deve incentivar a pesquisa a busca de diferentes linhas de pensamento para só assim chegarem a alguma conclusão.

terça-feira, 20 de março de 2018

Escolas Democráticas

Tudo novo, de novo... Primeira atividade foi um convite para assistir o vídeo “Escolas Democráticas” mostra através de uma animação uma realidade de um ensino tradicional que ocorre na rotina diária da maioria das escolas. Esta animação reproduz sistematicamente com o som de fundo o tic tac de um relógio uma rotina que desmotiva e torna o estar na escola algo nada atrativo.
Observamos neste vídeo que este modelo de escola está totalmente distante do que deveria ser uma escola democrática. Tudo nesta escola é controlado seja espaço físico, seja intervalo o aluno não tem papel ativo, ele é mero espectador.


Vídeo disponível: https://www.youtube.com/watch?v=Rumvh3QnL38&t=279s acesso em 13 mar 2018.

A evolução humana e o ato de pesquisar



Através dos processos evolutivos originando uma diversidade de espécies humanas, nos deparamos a este momento em que a diversidade impera. Fazemos parte de uma sociedade em que a educação Pós-Moderna, que rotula e se sente acometido por tudo que é dessemelhante, que foge ao padrão de referência ou que simplesmente possa perturbar sua posição de poder.
Sob este prisma de constante evolução e desenvolvimento aprender deixou de ser algo restrito a sala de aula, a aprendizagem deve ser a construção, a inquietação que busca por respostas. O professor da atualidade deve estar preparado para trabalhar diferentemente do que lhe foi ensinado, utilizar de maneira desafiadora mecanismos como pesquisa.
Neste estilo diferenciado a pesquisa surgira como um paradigma desafiador, favorecendo a concepção de novos saberes com base fundamentada em elementos examinados. Sob este ponto de vista o ato de pesquisar é remodelar concepções preestabelecidas e na prática escolar vai mais à frente do que análise de informações, vai formar cidadãos questionadores.
Cá estamos nós, pesquisando e aprendendo novas metodologias de ensino e aprendizagem para multiplicarmos estas experiências. 
Imagem: Disponivel em: <https://www.google.com.br/search?q=pesquisa&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwjErNXL_vrZAhXBDJAKHTWIBtAQ_AUICygC&biw=931&bih=557#imgrc=3FO-nwHFchkQEM:> acesso em 20 mar 2018.




terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Leituras e aplicação do Método Clínico


Afinal o que seria o “Método Clínico”? Após a aula presencial onde a da professora Darli Collares explanou sobre o tema fomos desafiados a aplicar o teste clínico com um aluno. Witmer, psicólogo norte-americano foi o primeiro a adotar o termo que serviria para prevenir e tratar indivíduos com possíveis problemas mentais e/ou crianças com dificuldades escolares.
Para Piaget o “Método Clínico” é a análise da gênese e também das peculiaridades do conhecimento. Uma investigação acerca do conhecimento do ser humano, como este é construído, abandonando um estágio de inteligência inferior e adquirindo um estágio superior.
Permeada por dúvidas e insegurança realizei o teste com um menino de 6 anos matriculado e que freqüenta regularmente o primeiro ano do ensino fundamental. Este aluno em poucos meses de vida escolar já é tachado como “aluno problema”, pois não consegue contar nem até dez, tem dificuldade de relacionamento e não consegue ficar sentado na cadeira.
Apliquei primeiramente o teste de “Conservação da Massa (quantidades contínuas)”, neste teste o material utilizado é massa de modelar. Inicialmente formei duas bolinhas de massa de modelar iguais no formato, porém de cores diferentes, perguntei para o menino se tinham a mesmo tamanho, ele respondeu que não a bolinha de cor vermelha era maior, questionei como ele chegou esta conclusão. Ele prontamente me respondeu que foi por causa da cor que vermelho é uma cor muito forte. Em seguida transformei a bolinha amarela em salsicha e repedi a pergunta, ele novamente afirmou que a vermelha era maior pelo mesmo motivo. Neste momento percebi insegurança em minha postura e fiquei perdida sem saber como questioná-lo.
A prova seguinte foi de classificação, utilizei conjuntos de brinquedos de plástico como baldinhos, apitos, peões, pentes, etc. Por ansiedade não permiti que ele manipulasse os objetos, fui logo pedindo que ele os organizasse. Ele prontamente resolveu como organizaria os objetos. Ele resolveu organizá-los por “amigos”, objetos iguais juntos. Ele tem uma noção de quantidade quando perguntei a quantidade de objetos que tinha, ele respondia se muitos sete, se poucos dois.
Preliminarmente imaginei fazer uma entrevista clínica semi-estruturada com perguntas básicas que seriam ampliadas e complementadas de acordo com as respostas do menino, porém não consegui seguir o script. As respostas na entrevista clínica deveriam ser desencadeadas a partir das minhas perguntas. Porém percebi que as respostas foram influenciadas por minhas intervenções. Acredito que os principais erros cometidos na entrevista clínica foram os objetivos imprecisos, além é claro da forma insegura de perguntar, diversas vezes induzindo e direcionando as respostas do menino. Não consegui avaliar a clareza e a segurança das respostas do menino e tão pouco realizar contra-argumentações.
Ao realizar está primeira tentativa de realizar o teste do Método Clínico de Jean Piaget foi uma proposta riquíssima que nos possibilitou um dialogo diferente com uma criança, o raciocínio infantil me fascinou. Dedicar este momento para descobrir o que passa naquela cabecinha tão inquieta foi gratificante.

Disponível em:<https://i.ytimg.com/vi/K_-Hl8NzQAo/hqdefault.jpg> acesso em 12 dez 2017.

Referência:
DELVAL, Juan. Introdução à prática do método clínico. Descobrindo o pensamento das crianças. Porto Alegre: ARTMED, 2002.

MARQUES, Tania B. I. Sobre a aplicação das provas operatórias. Porto Alegre: 2015.

MARQUES, Tania B. I. Método clínico piagetiano: Exemplo de transcrição. Porto Alegre: 2015.


MARQUES, Tania Beatriz Iwaszko. PROVAS OPERATÓRIAS. Disponível em: <https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/2211402/mod_resource/content/1/Apostila%20M%C3%A9todo%20cl%C3%ADnico.%20Provas%20operat%C3%B3rias%20de%20Tania%20B.I.%20Marques%20e%20J%C3%BAnior%20S.Frezza.pdf> acesso em 05 dez 2017.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Censo Escolar

 
Imagem disponível em: <http://blog.portabilis.com.br/wp-content/uploads/2016/07/img-blog-censo-escolar.png> acesso em 19 nov. 2017.


Como reflexão e conhecimento, fomos demandados na Interdisciplina Questões Étnico-Raciais na Educação: Sociologia e História a realizar um censo escolar de uma de nossas turmas analisando a diversidade através de diferentes itens. O INEP através da obra “A cor ou raça nas estatísticas educacionais” forneceu subsídios que embasaram esta atividade:

O Censo Escolar da Educação Básica é um levantamento de dados educacionais de âmbito nacional, que ocorre com periodicidade anual. É coletado de modo descentralizado, em regime de colaboração entre União, estados, Distrito Federal e municípios e tem caráter declaratório. O preenchimento do Censo Escolar é obrigatório para todas as escolas públicas e privadas, de acordo como o Decreto nº 6.425/2008, de modo que os diretores e dirigentes dos estabelecimentos de ensino devem responder ao Censo e se responsabilizar pela veracidade dos dados informados. Além de coletar informações sobre escolas, turmas, profissionais escolares em sala de aula e estudantes nas diversas etapas da educação básica, o Censo também colhe dados relacionados ao movimento e ao rendimento escolar (transferência, aprovação, reprovação e abandono).

Analisei uma turma de 7º ano porque a diversidade é um traço marcante nela. Esta turma é composta por 22 alunos, a idade destes alunos é bem variada que vai de 12 anos à 19 anos completos. Todos os alunos desta turma são de nacionalidade brasileira e todos nasceram na capital do estado do Rio Grande do Sul.

Como podemos perceber alguns alunos desta turma reprovaram mais de uma vez por diferentes motivos como: evasão escolar, dificuldade de aprendizagem, etc. Percebe-se que os alunos “especiais” são os que mais reprovaram.

Nos dados cadastrais dos alunos também algumas informações são omitidas como a questão de aluno especial diagnosticado, ou seja, com laudo e que os responsáveis preferem que suprimido do seu cadastro. Esta turma é composta por 6 alunos “especial” (termo do sistema) porém declarados são apenas dois.

Por tanto os professores costumam avaliá-los como os demais alunos, nem existe uma sensibilidade por parte dos professores. A menina de 19 anos é diagnosticada e tem lauda com deficiência intelectual e mesmo assim reprovou muitas vezes.

O quesito raça/cor também chama atenção visto que apenas dois alunos se declararam pretos, e na realidade seriam 10 alunos. A maioria dos alunos se declarou etnia branca. Os alunos desta turma apenas dois vão para escola de transporte escolar, um deles é o aluno com laudo e declarado deficiência física locomotora. Este aluno é atendido pela professora da sala de recursos.

Um progresso ou conquista que ocorreu neste ano foi que: a professora da sala de recursos juntamente com a coordenadora pedagógica conseguiram sensibilizar os docentes a avançarem um aluno com altas habilidades que tinha reprovado muitas vezes por sofrer Bullying em diferentes escolas que estudou e por fim acabava abandonando a escola.

Esta turma é atendida por oito profissionais com ensino superior completo, dois profissionais possuem especialização. A estrutura da escola é composta por Sala de multimídia, sala de informática, biblioteca, sala de recursos pedagógicos, orientação educacional, rampas de acesso e banheiro adaptado.

Este censo me fez perceber a importância da coleta de dados e também como falta uma orientação para os responsáveis. Os dados devem ser corretos e sempre atualizados para que não haja mais reprovações e evasão escolar resultantes das peculiaridades omitidas no cadastro dos alunos.

Referência:
SENKEVICS, Adriano Souza. A cor ou raça nas estatísticas educacionais: uma análise dos instrumentos de pesquisa do Inep / Adriano Souza Senkevics ; Taís de Sant’Anna Machado ; Adolfo Samuel de Oliveira. – Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, 2016.

Olhar para o lado...

Imagem disponível em:<http://www.portalafricas.com.br/v1/wp-content/uploads/2015/11/racismo-13-12-13-615x340.jpg> acesso em: 28 nov 2017.
Um olhar para os lados sejam eles também para o passado foi uma proposta de reflexão bem significativa que sempre fiz silenciosamente, porém nunca coloquei no papel. E esta proposta de analise e reflexão intitulada “Teste de pescoço” proporcionou um novo olhar, um olhar cuidadoso e como também posso mencionar curioso.
Ao longo da minha vida acadêmica tive duas professoras negras uma no ensino fundamental anos iniciais professora de música e outra no ensino técnico professora de datilografia. No decorrer da minha escolarização tive colegas negros, no ensino superior eles diminuíram drasticamente, porém estávamos lá nos bancos acadêmicos três negras.
Atualmente estou cursando uma segunda graduação e assim como na primeira não tenho nenhum professor ou tutor negro visualmente, visto que temos negros de pele branca porém geneticamente negro, quanto ao número de colegas posso afirmar que a quantidade aumentou significativa. Como comprova MELLO:
O significativo aumento de indivíduos negros no ensino superior é prova incontestável da necessidade de políticas públicas voltadas para a diminuição das desigualdades raciais. O índice de paridade racial no ensino superior, de acordo com dados divulgados pela Fundação Carlos Chagas, passou de 0,25 no ano 2000, para 0,56 no ano de 2010. Assim, se em 2000 havia quatro estudantes brancos para cada estudante negro, essa proporção se reduziu pela metade em 2010.

Onde leciono atualmente escola de ensino fundamental somos duas professoras negras, porém por longos anos estive só, minha escola não possui ações afirmativas significativas. Pretendo realizar mestrado e doutorado e somar neste número tão singelo de professores negros nas universidades brasileiras como dados apresentados por CARVALHO (2005, p.93):
Se juntarmos todos os professores de algumas das principais universidades de pesquisa do país (por exemplo, USP, UFRJ, Unicamp, UnB, UFRGS, UFSCAR e UFMG), teremos um contingente de aproximadamente 18.400 acadêmicos, a maioria dos quais com doutorado3 . Esse universo está racialmente dividido entre 18.330 brancos e 70 negros; ou seja, entre 99,6% de docentes brancos e 0,4% de docentes negros (não temos ainda um único docente indígena).
Conversando com minha tia que tem setenta anos e estudou até o ensino fundamental em um distrito de Piratini chamado de Cancelão. Ela relatou que sua escola, ou melhor, sua turma era multi seriada, ou seja, vários anos na mesma turma. Sua professora era branca e a escola era mista, porém a grande maioria era de alunos negros.
Ela estudou aproximadamente até o quarto ano, por não existir ensino avançado no município e a necessidade latente de trabalhar abandonou a escola com onze anos de idade. Também mencionou que quando mudou para um município maior juntamente com a família que trabalhava, sentiu vontade de estudar, porém não tinha horário disponível para tal, pois como domestica era “a primeira a levantar e a ultima para deitar”.
Sinto tristeza e vitória em suas palavras, pois devido ao esforço dela e de minha mãe que também não teve estudos além da alfabetização e que assim como minha tia trabalhou como domestica, nós tivemos acesso a educação superior.
Vou adotar em minha rotina e também incentivar meus alunos a praticar o “teste do pesco”, com o intuito de estimular e encorajar a preenchermos positivamente todos os locais de ascensão e destaque.

Referências:

CARVALHO, José Jorge de. O confinamento racial do mundo acadêmico brasileiro. Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/revusp/article/viewFile/13485/15303> acesso em 23 out. 2017.

SANTOS, Isabel Silveira dos Santos. Contando Outras Histórias Sobre a Educação De Negros (As). Disponível em: < https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/2192918/mod_resource/content/1/SANTOS%2C%20Isabel%20Silveira%20dos.%20Contando%20outras%20hist%C3%B3rias%20sobre%20a%20educa%C3%A7%C3%A3o%20de%20negros_as_%20FINALIZADO.pdf> acessado em 23 out. 2017.

SILVEIRA, Aline. A intelectualidade negra e a invisibilidade nos espaços acadêmicos. Disponível em: < http://blogueirasnegras.org/2014/10/28/a-intelectualidade-negra-e-a-invisibilidade-nos-espacos-academicos/> acessado em 24 out. 2017.


MELLO, Luciana Garcia de. Racismo de Estado e a produção de desigualdades raciais no sistema educacional. Disponível em: <https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/2192919/mod_resource/content/1/Vers%C3%A3o%20final%20-%20Uniafro.pdf> acessado em 23 out. 2017.